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FESTIVAL DE ARTE DIGITAL 2016
TEXTO CURATORIAL SPU4 – 2016

Hoje em dia, a arte digital não é mais uma novidade, e tampouco o nosso encontro com as formas dessa arte nos ambientes urbanos. Durante a última década, a produção e a exposição artística da arte digital se desenvolveram em ritmo acelerado. A acessibilidade e a disponibilidade das tecnologias digitais permitiram que a curiosidade artística e a experimentação acompanhassem essa velocidade do digital, que é apoiada pela profissionalização das exibições em festivais de arte digital, galerias urbanas e arquitetura de mídia. Essas plataformas são fundamentais para facilitar, comissionando e apresentando essas novas formas de arte para públicos curiosos e o estabelecimento da arte digital urbana como um nicho progressivo no cenário artístico.

As tecnologias e as conexões digitais estão profundamente enraizadas no tecido urbano das velhas e novas cidades e isso mudará a maneira de pensarmos o funcionamento das cidades e de como vivemos e existimos nestes ambientes.

Esta condição não só afeta os sistemas de gestão de transporte das cidades, a malha viária inteligente, os sistemas de monitoramento de água e os sistemas de eficiência energética. A era digital também afeta a globalização, o aumento da mobilidade urbana e a poluição, assim como, a formação de uma sociedade de controle na qual estamos cada vez mais, nos tornando dependentes, e ainda, as condições de integração social deste crescente número de habitantes urbanos, especialmente nas cidades em desenvolvimento. O digital, cada vez mais, está estruturando a nossa cultura urbana e afetando a nossa percepção.

Desse modo, essa questão não diz respeito ao fato de como podemos controlar a velocidade do “progresso” na nossa realidade digital, já que ele tem sido criticado pela sua própria aceleração infinita e pela negligência dada ao fator humano; isso nós não podemos controlar. A questão está relacionada a como podemos lidar com os desafios urbanos de forma proativa, antes de uma falha dos sistemas e como podemos equilibrar o desenvolvimento digital com a existência humana.

Os desafios que estamos enfrentando envolvem a questão de como vamos conciliar as invenções e as conquistas da tecnologia moderna, já que elas estabeleceram sua autonomia nas condições da vida humana, na nossa cultura herdada, e no mundo natural.

Dentro do contexto urbano, no nível da vida humana cotidiana, o desafio é como conseguir conciliar o abstrato, as representações conceituais da cultura digital urbana, as condições particulares e as aspirações de vida das pessoas comuns. E nisso podemos incluir a transformação dos fatores disfuncionais, tais como, o comportamento humano de isolamento social, a falta de resistência (relativa à vigilância e a outros fatores de controle), a falta de identificação com os lugares, o investimento humano em ambientes locais e as atitudes de indiferença (aos fatores que podem ter um impacto profundo na vida das pessoas), em um comportamento humano de impacto positivo na integração social.

As camadas de material do nosso tecido urbano, interligadas aos sistemas da sociedade, como uma interface para a máquina urbana, desempenham um papel, cada vez mais importante dentro das oportunidades que temos de responder aos desafios urbanos. De algumas décadas até agora, nós estamos em um processo exploratório, escavando as oportunidades para reforçar o comportamento positivo nos habitantes através de compromissos estéticos com o material das cidades e as superfícies comunicativas. Temos procurado ativar a estrutura material da arquitetura (de mídia) da nossa cultura urbana, e re-explorar a antiga preocupação da arquitetura na criação e mudança de hábitos, de uma forma compatível com a nossa época. Nas últimas décadas, a arte digital migrou para a arquitetura e para os espaços urbanos na tentativa de investigar as respostas aos vários desafios na escala urbana.

Baseando-se em táticas estéticas diferentes, a arte digital, primeiramente, procurou desafiar a estrutura de pensamento das pessoas, propondo maneiras de invocar o engajamento emocional do indivíduo com o objetivo de afetar o processamento da percepção dos cidadãos. Os artistas ao entrarem no domínio público urbano se tornam arquitetos do espaço e defensores dos discursos humanos e das agendas urbanas. E é neste encontro com a realidade que as filosofias da arte começam a negociar com outros domínios sociais, compartilhando o mesmo e profundo objetivo: Melhorar as condições urbanas da vida cotidiana das pessoas nas grandes cidades.

O relacionamento entre os seres humanos e a tecnologia tem sido (e ainda é) uma preocupação filosófica fundamental na arte digital contemporânea. Construída com base nos importantes escritos de Walter Benjamin, Marshall McLuhan, Jean Baudrillard e Paul Virilio, entre outros, a nova filosofia de mídia está olhando através da lente da arte digital quando continua a pesquisar sobre: o que as mudanças na tecnologia de mídia podem provocar na consciência humana; como as novas técnicas de representação ampliam ou diminuem valores, práticas e experiências humanas; ou como as novas tecnologias da informação e comunicação influenciam novos modelos de sociedade. Essas são preocupações essenciais e estão relacionadas com nossa participação como cidadãos na realidade digital. A Arte Digital há tempos aborda essas preocupações e joga com a imaginação e os atos humanos em relação à tecnologia.

A Arte Digital encontrou um lugar específico no contexto urbano. Assumindo o controle sobre as telas através de dispositivos móveis e integrando a arquitetura e a construção urbana, a arte digital está buscando novas perguntas e explorando novos meios de intervenção no diálogo com o ambiente urbano e com a esfera social. Mas ela também enfrenta novos desafios enquanto intervém no espaço público, um território onde imagens mediadas são contestadas por representar falsas ilusões, mas que são compartilhadas entre públicos complexos e políticas de interesses em conflito. A Arte Digital está desenvolvendo novas formas e estéticas nos diálogos urbanos, enquanto discretamente, procura a razão de sua existência. E ainda engatinhando, a arte digital urbana não pode confiar nos discursos já estabelecidos para explicar a sua existência, mas, por outro lado, necessita confiar no discurso da autoconsciência crítica.

A quarta edição do “SP URBAN” reacende a urgência em questionar: Que é a “razão da existência” da arte digital urbana? Como a arte digital pode contribuir para o ambiente urbano local e pela melhoria da qualidade de vida?; Como ela pode contribuir para a construção e o reforço da esfera pública e social?

Em resumo: O festival questiona as questões mais amplas relacionadas com o futuro da arte digital urbana, seus valores cívicos e sociais, suas oportunidades na arquitetura, e como ela denuncia nosso comportamento humano. Considera como as visões atuais da arte digital urbana informarão as práticas futuras e como contribuirão para a razão da sua existência futura.

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